sábado, 12 de maio de 2012

 MAIS UM POEMA DE MINHA AUTORIA PRA VOCÊS.

Os Sapos

Enfunando os papos,

Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,

Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,

Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo

Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom

Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos

Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia

Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:

- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo

O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.

Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas

(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,

Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,

Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,

Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

Nenhum comentário:

Postar um comentário